Burnout: o limite do estresse

Adolescentes têm muita síndrome de burnout: saiba diferenciar do estresse

A expressão “burnout”  pode ser traduzida como esgotamento e é quando a vela queima todo o seu pavio. Há uns quarenta anos, foi usada na Suécia para denominar uma síndrome que se observava no ambiente de trabalho, acometendo executivos que não se davam um minuto de descanso e só se dedicavam à carreira até travarem física e emocionalmente. Quem diria que esse assunto iria preocupar quem lida com adolescentes… E, no entanto, a síndrome de burnout se torna comum entre os jovens. Ela seria um passo além do estresse, por assim dizer. Estresse que, em um primeiro momento, não é de todo ruim, ao contrário: você sabe, ele que nos deixa alertas. Ao se intensificar, porém, o indivíduo entra na fase que chamamos de resistência. É quando reações do corpo ao estresse, como o coração acelerado, se tornam muito frequentes. Alguns lidam com esses períodos estressantes bem e, de um jeito ou de outro, reencontram um equilíbrio — ora, os problemas e os momentos duros ou em que precisamos nos esforçar mais fazem parte da vida de todos. Mas outras pessoas, porque são ou estão mais sensíveis, terminam esgotadas com uma fase de resistência prolongada. E então se tornam vulneráveis a doenças físicas e mentais. Aliás, boa parte das pessoas com burnout, evoluem para uma depressão profunda, não importa se é adolescente ou adulta. No Brasil, o tema começa a ser discutido nas escolas e muitas delas já estão revendo a distribuição da carga horária e as abordagens em sala de aula.  Nas faculdades, há casos e mais casos de burnout entre os estudantes de Medicina, por exemplo. O fato é que, no mundo atual, os jovens são cobrados a estudar sem parar, as horas de sono acabam sendo roubadas e — o que é um ponto importante para eu destacar — todos são incentivados a fazer tudo com enorme rapidez, correndo contra o relógio. Em parte, pensando nos alunos do Ensino Médio, para prepará-los para a corrida maluca do vestibular.  O problema é que vem a exaustão — é quando se ultrapassa todos os limites que aquele indivíduo conseguiria suportar.

E ela é um tiro no pé. O adolescente deixa de se sair bem até naquelas disciplinas em que aprendia com desenvoltura. Por isso mesmo, quando me perguntam como diferenciar a síndrome de burnout do estresse de final de ano, aponto a produtividade como a melhor pista. Até costumo fazer a seguinte comparação: é como um maratonista que correu bem toda a prova, mas que, nos últimos 100 metros, mal consegue andar e, quando não cai esgotado na pista, ultrapassa a linha de chegada cambaleando. Assim é o adolescente com burnout: a queda brusca de sua produtividade é nítida. Ele já não consegue ler direito, muito menos escrever. Também mal consegue expressar o que está sentindo.

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